terça-feira, 30 de novembro de 2021

INSÔNIA

 



É noite... no silêncio meus pensamentos gritam e me questiono porque acordei...

Se bem que nem lembro o que eu estava sonhando. Apenas acordei suado mesmo com o ventilador no máximo da sua potência.

Um barulho na rua, é apenas um veículo que passa despreocupado e que com o adiantar das horas esse som de carros e motos ficam mais intensos. Por horas dá para contar os minutos de intervalo entre um e outro veículo.

O vento sopra uma brisa suave, todos dormem menos eu que perdi o sono.

As luzes da casa estão apagadas e a iluminação que entra pela janela é a do poste da rua.

Ouço uma sirene seguido de barulho de moto. O vigia da rua passa quebrando mais uma vez o silêncio da madrugada. É impressionante como os antigos "papas serenos" com seus apitos foram substituídos por motoqueiros e suas sirenes.

Eu que fui dormir às 22:00 perdi o sono para o calor da noite de primavera. Despertei às duas horas, já são quase quatro da manhã e nada do sono voltar.

Tento não fazer barulho para não acordar ninguém. Mas mas já observaram que na madrugada o silêncio é frágil? Por menor que seja o barulho, torna-se sempre estrondoso.

Observo as sombras que se formam com a pouca luz que vem de fora, fico brincando de adivinha com que elas se parecem. Isto me faz lembrar quando olhamos as nuvens no céu e achamos que elas têm forma de objetos ou animais.

Mas uma vez o silêncio é quebrado por um veículo, dessa vez uma moto barulhenta que mesmo de dia é impossível não se notar quando elas passam.

As horas transcorrem e minha insônia só aumenta. Pego o celular, vou olhar as redes sociais para ver as novidades... nada de novo no front. Olho para a tv mas fico na dúvida se ligo ou não, pois não quero perturbar o sono de ninguém, já basta eu ter perdido o meu.

O que me resta é tentar dormir mais uma vez mesmo sem ele chegar. Pessoas passam conversando na rua algo inaudível e fico pensando o que faz uma pessoa às 4 da manhã na rua... Algumas hipóteses me ocorrem: ou estão saindo para o trabalho ou para praticar algum esporte. Podem também estar voltando para casa vindos de alguma balada, pois o fim de semana chegou, se a noite foi uma criança, agora ela já está por caducar.Ou como diria Zé Ramalho numa de suas canções: " é moça e anciã "

Daqui a pouco o dia começa a raiar e meus olhos ainda estão leves e sem sono. Escuto os pássaros e galos anunciando a chegada do novo dia e meu sono que não chega.

Mas uma vez fico pensando que não era para ter adormecido tão cedo, pois era quase certo acordar de madrugada. Geralmente não demoro a dormir, mas o calor que está fazendo me leva o pouco sono que me resta.

Enfim bate a fome e vou assaltar a geladeira, quem sabe eu encontro o sono depois de um lanchinho.

Aos que dormem e aos que assim como eu, estão despertos na madrugada, que estejam bem, porque eu continuo com a paz impaciente e o silêncio da quase manhã...


Vicente Killiam 27/11/2021

sábado, 20 de novembro de 2021

IGUALDADE

 


 


O Brasil é um país de igualdade? 

Responder que sim 

é faltar com a verdade

Basta ver a nossa triste realidade 

"Minorias" sendo oprimidas

Dor no peito e lágrimas contidas 

O povo passa por privação 

de comer e beber 

Sem direitos a adquirir o saber 

Vive sob o véu da  ignorância 

Sem poder se defender da violência

Imposta pelo estado insensível

Que nos torna cada dia mais invisível

Passamos à marginalidade 

Por discriminação 

e falta de oportunidade

Mais uma vez questiono: onde está a igualdade?



Vicente Killiam 20/11/2021

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

GABRIEL 15 ANOS

 



15 anos se passaram e parece que foi ontem. Ainda lembro dela com o vestido jeans largo ostentando um lindo barrigão, pronta para ir ao hospital. A maternidade lhe batia a porta e em algumas horas seríamos pai e mãe de uma criança muito amada.

Saímos cedo de casa. Era um dos dias mais importante de nossas vidas. A partir dali tudo mudaria, viveriamos entre fraldas e mamadeiras, passaríamos a planejar nossa vida agora a três.

No hospital nos separamos, ela foi para o bloco cirúrgico se preparar para cirurgia cesariana e eu fui trocar de roupa para assistir a chegada do primogênito ( sempre achei essa palavra estranha, mas o significado dela me tornaria uma pessoa melhor) dada a importância do acontecimento. Deveria ser uma roupa de gala, mas  aquela roupa verde usada pelos médicos e enfermeiros caiu como uma luva.

Roupa trocada fui para a sala de cirurgia assistir a chegada de de meu filho. A doutora, médica experiente, me colocou sentado em um banquinho próximo a parturiente com receio de que eu pudesse desmaiar( reação bastante comum aos pais, principalmente os de primeira viagem). Ao invés de ajudar dando força a mãe, atrapalhasse na hora do parto tendo que ser socorrido por parte da equipe médica exclusiva  para mãe.

Minha irmã  que é enfermeira  foi assistir ao parto sob nosso convite. E foi muito bom tê-la por perto pois sem ela comigo não teria tido a coragem de ver a chegada de Gabriel ao mundo.

Quem me conhece sabe como sou emotivo, choro com muita facilidade. Mas tudo foi diferente naquela manhã de primavera. Apesar da emoção contive as lágrimas, permaneci calmo, pronto para o grande momento.

E ali estava eu junto a minha irmã por trás dos médicos, assistindo e fotografando o nascimento de meu bebê. O silêncio da sala foi quebrado pelo choro que aos meus ouvidos parecia uma sinfonia divina que nem Mozart ou Beethoven jamais comporiam.

Era 09:25 do dia 11 de novembro de 2006. Ele já nasceu grandão com 52cm e 4,275kg. Uma vez pesado e medido recebi o "pacotinho" nas mãos. 

Segui com a enfermeira até o berçário deixando a mãe aos cuidados dos médicos.

Não sei bem como descrever a sensação de assistir ao nascimento de um filho. É um misto de emoções, não existem palavras que possam exprimir esse sentimento.

E agora  que se passaram 15 anos, ver Gabriel crescendo  e fazer parte do seu dia a dia é fantástico e ao mesmo tempo assustador, pois até ontem era um menininho, e hoje vejo um rapaz incrível de uma inteligência privilegiada que cada dia se torna mais independente e segue sua jornada, fazendo  escolhas que vão refletir em seu futuro.

Meu filho veio ao mundo e só tenho que agradecer a Deus por ter me mostrado o verdadeiro significado da palavra amor. 


Vicente Killiam 11/11/21