quarta-feira, 27 de outubro de 2021

O PHILODENDRON, A ROLINHA E O GAVIÃO.

 


Acordei com o sol alto. Algumas nuvens no céu mas com a predominância de um lindo tom de azul celeste.

Pela janela vejo as plantas na varanda e o movimentado trânsito de pássaros que cercam o bebedouro instalado por minha mãe na grade da varanda.

Na parede um palete sustenta um pequeno jardim ( nem tão pequeno assim para o tamanho  da varanda), com uma boa variedade de plantas.

Em um Philodendron roxo  instalados em um ninho, um casal de rolinhas.

Minha mãe ficou ao mesmo tempo encantada e preocupada. Encantada pela a rolinha ter feito um ninho em sua varanda e preocupada de como ela iria regar sua planta.

Aos poucos, com todo carinho e jeito maternal, ela foi achando um modo de cuidar do seu philodendron roxo incomodando o mínimo possível as rolinhas.

Como na vida nem tudo são flores, um dia pela manhã um ovo foi encontrado quebrado no chão. Mas como as rolinhas continuaram lá, deduzimos que haveria mais que um ovo no ninho. 

E as rolinhas passaram a fazer parte da "paisagem" da casa. As crianças adoram a novidade e, orientadas pela vovó Penha não chegaram perto das aves.

Mas a natureza é bela e cruel aos olhos humanos. Por estarmos no topo da cadeia alimentar não nos damos conta de que outros animais têm a necessidade de comer.

Sem falar que o romantismo do casal de rolinhas com seu filhote é uma imagem linda.

Mas apareceu um gavião faminto e enxergou no ninho uma oportunidade de saciar sua fome. E  dando uma investida, atacou a mãe que escapou... o filhote por milagre caiu embaixo de uma estante de plantas que fica abaixo do jardim suspenso.

Minha mãe viu a cena e socorreu o filhotinho.

Pegou o ninho, colocou em um pote de sorvete e alojou a pequena rolinha. 

Passando alguns minutos a rolinha mãe voltou e minha mãe devolveu o ninho ao seu lugar no Philodendron roxo.

Fiquei feliz com a união do Filhote com a mãe e tentei registrar a reunião de família. E sempre que me aproximava para tirar uma foto a rolinha abria as asas na intenção de proteger sua cria.

Quando desisti da fotografia e voltei para o meu quarto, ouvi o grito da minha mãe.

O esfomeado gavião voltou... e a rolinha fugiu abandonando seu filhote à própria sorte.

Ficamos revoltados com o gavião e sem nenhuma empatia pela ave de rapina que por sua própria natureza e obedecendo seu mais puro e original instinto, só queria comer para viver mais um dia.


Vicente Killiam 23/10/2021

3 comentários:

  1. Que história bela e cativante para ver o desfecho final...que não tem fim, a vida nos provoca emoções e vc as faz escritas aqui, e a vida segue inexorável 🕊️

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  2. Adorei o texto, inclusive achei que teria um final feliz, mas eis que a lei da sobrevivência superou o meu desejo. Lembrei da fábula A águia e a coruja.👏👏👏👏

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